Veja efeito do corte dos juros nos financiamentos
Por admin • jul 27th, 2009 • Categoria: Seu BolsoCálculos de especialistas revelam quanto o consumidor passará a pagar na tomada de empréstimo junto ao cartão de crédito, cheque especial, crédito direto ao consumidor nos bancos, entre outras modalidades
A redução de meio ponto percentual da taxa básica de juros da economia (a chamada Selic), que passou de 9,25% para 8,75% anuais, não proporcionará grandes impactos no bolso do brasileiro, embora possa incentivar o consumo. De acordo com cálculos de especialistas, o considerado último corte nos juros do ano vai gerar uma economia de centavos nas parcelas de crediário. Analistas acreditam que a taxa de juros deve se manter estável até o fim deste ano. O Copom – Comitê de Política Monetária do Banco Central – só deve voltar a ajustar o indicador em 2010.
Diante deste cenário, a tomada de empréstimo ainda deve ser encarada com cautela, conforme orientação da Fundação Procon de São Paulo. O corte na taxa é extremamente importante ao consumidor, mas é preciso ter consciência de que o barateamento na concessão de crédito não é um processo tão ágil.
Este fato ocorre uma vez que existe um deslocamento muito grande entre a taxa Selic e as taxas cobradas ao consumidor que, na média da pessoa física, atingem 131,87% ao ano provocando uma variação de mais de 1.300,00% entre as duas pontas. “Entretanto, o efeito indireto será muito maior na medida em que, com uma taxa Selic bem mais baixa, cai a rentabilidade dos bancos em aplicações de tesouraria (títulos públicos), o que levará os mesmos a emprestar mais, provocando maior competição no mercado com efeitos nas taxas de juros das operações de crédito”, explica a Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).
Assim que foi divulgado o corte dos juros, algumas instituições financeiras já reajustaram suas taxas. Foi o caso do Bradesco, Caixa Econômica Federal, HSBC e Itaú Unibanco. Nesta última instituição financeira, por exemplo, a redução será de 0,04 ponto percentual sobre as taxas máximas mensais praticadas, “o que corresponde ao repasse integral do corte de 0,5 ponto percentual efetuado na taxa básica de juros da economia, que é anual”, informou a instituição, em nota. Os novos valores passam a ser praticados a partir da próxima terça-feira, 28 de julho.
Na prática
Para atestar os reflexos da queda dos juros em diversas modalidades de crédito, como cheque especial, CDC (Crédito Direto ao Consumidor), entre outras, a Anefac fez os cálculos. Por exemplo: um consumidor pretende comprar uma geladeira no valor de R$ 1.500 à vista, mas prefere parcelar a compra em 12 vezes sem entrada. Antes do corte da Selic, os juros ficariam em 6,06% ao mês, ou seja, o consumidor pagaria 12 parcelas de R$ 179,50, totalizando R$ 2.154,00. Com a taxa atual, os juros cobrados pelos lojistas passam a ser de 6,02%. Assim, a prestação cairia para R$ 179,11, totalizando o valor da geladeira em R$ 2.149,32, ou seja, redução de R$ 0,39 na prestação e de R$ 4,68 no valor total do produto.
A economia também é de centavos no cheque especial, considerando um empréstimo de R$ 1 mil por 30 dias. Antes do corte, a taxa era de 7,54% mensais, totalizando R$ 50,27. Com a nova Selic, a conta de juros por uso da modalidade seria de R$ 50,00 – redução de R$ 0,27 no período. Nas financeiras a economia é maior, mas o serviço cobra os juros mais caros do mercado – atualmente, a taxa média para obter uma linha de crédito nessas instituições chega a 11,13% ao mês, contra 11,17% antes da redução da Selic.
No comparativo antes e depois do corte, um empréstimo de R$ 500 por 12 meses sairia R$ 931,68, e agora sai por R$ 929,88, ou seja, uma economia de R$ 0,15 na prestação ou de R$ 1,80 no valor total do produto. Na tabela ao lado, acompanhe a evolução de todas as taxas, inclusive para CDC (Crédito Direto ao Consumidor) nos Bancos e cartão de crédito.

Copom sinaliza fim do ciclo de queda de juros
A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) de reduzir a taxa básica de juros para 8,75% ao ano ficou dentro das expectativas de boa parte dos analistas. A decisão foi unânime, ao contrário do que houve na última reunião – quando a maioria do colegiado decidiu por um corte de 100 pontos-base.
Segundo análise da equipe de economistas da LCA Consultores, o comunicado divulgado após a reunião também surpreendeu. Eram esperadas algumas mudanças de escrita, sugerindo que não haveria um comprometimento de antemão com o fim do ciclo de corte das taxas, o que manteria uma margem de manobra até a reunião programada para o início de setembro.
Entretanto, os analistas acreditam que a nova redação do comunicado parece sugerir que o BC considera encerrado o ciclo de flexibilização monetária. Com efeito, entende-se que o recado principal do documento é que “o Comitê avalia (…) que esse patamar de taxa básica de juros [de 8,75% ao ano] é consistente com um cenário inflacionário benigno, contribuindo para assegurar a convergência da inflação para a trajetória de metas ao longo do horizonte relevante, bem como para a recuperação não inflacionária da atividade econômica”.
Embora contrarie algumas expectativas, o comunicado parece reforçar a curva projetada pela consultoria para a Selic neste ano: manutenção da taxa de 8,75% na reunião de setembro e manutenção dos patamares por um período prolongado.
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