Poupança acima de R$ 50 mil pagará IR a partir de 2010

Por admin • mai 14th, 2009 • Categoria: Investimentos

Alíquota será cobrada quando a taxa básica de juros permanecer abaixo de 10,50% ao ano. Mesmo com maior mordida do Leão, apenas saldos acima de R$ 100 mil sofrerão perdas significativas

Após um período intenso de polêmicas e debates, o governo federal oficializou sua intenção de taxar a caderneta de poupança. A proposta anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, envolve apenas os investimentos acima de R$ 50 mil, e será colocada em prática a partir de 2010, caso a taxa básica de juros permaneça abaixo de 10,50% ao ano. Hoje, a Selic está em 10,25% ao ano.

Segundo declarações do ministro, 99% das cadernetas são de aplicações entre R$ 100 e R$ 50 mil. Porém, o governo afirmou que a tributação será maior para os investidores com saldos acima de R$ 100 mil – o equivalente a menos de 1% do total de poupadores. Segundo cálculos de Mantega, até esse montante a mordida do Leão sobre o rendimento será pequena frente ao imposto sobre os ganhos do total depositado em um fundo de renda fixa, que fica ainda menor quando considerada a taxa de administração paga pelo investidor.

Um dos principais motivos das novas regras é impedir que a poupança vire objeto de especulação financeira. “As mudanças estão sendo feitas para garantir que a poupança continue sendo a aplicação mais importante e segura para a população”, afirmou durante entrevista coletiva. Hoje, a caderneta está se mostrando mais atraente que alguns fundos de investimento, em especial renda fixa, DI e CDBs.

Na prática

Segundo a proposta, o imposto de renda será cobrado de forma progressiva, a partir dos R$ 50 mil. Por exemplo: se uma pessoa tiver R$ 80 mil aplicados, a taxa será cobrada sobre os R$ 30 mil a mais. Se a cobrança fosse válida a partir de agora, os montantes dentro deste perfil teriam de pagar uma taxa de 20%.

As taxas oscilam conforme o patamar de juros em vigência. Para as pessoas que possuem a caderneta como única fonte de renda, haverá isenção para valores abaixo de R$ 850 mil, e o imposto cobrado terá uma diferenciação ante os demais aplicadores. “A mudança de regras deixará este investimento mais competitivo”, comenta o administrador de investimentos Fábio Colombo.

Com a cobrança do IR sobre a poupança e a queda da taxa Selic, a tendência é que os bancos diminuam as taxas de administração sobre os fundos de investimento, já que com um rendimento de 6,17% ao ano, a poupança só perde em atratividade para os fundos de renda fixa ou para aqueles com taxa de administração igual ou inferior a 1%. “O mercado depende da concorrência. Taxas altas desestimulam o pequeno investidor, com pouco dinheiro. Como a poupança tem um rendimento igual para todos, as vezes ela se torna mais atrativa”, explica Colombo.

Fundos de investimento

Também foram anunciadas medidas específicas para os fundos de investimento. Caso a taxa básica de juros fique abaixo da linha de 10,25%, o governo irá reduzir a cobrança de imposto de renda sobre os fundos de investimento, de forma a impedir a migração de investidores para a poupança. Na verdade, o governo depende do dinheiro aplicado nos fundos mais conservadores – estruturados com títulos públicos – para o pagamento dos juros da dívida. Já os valores envolvendo a poupança são utilizados apenas no financiamento da casa própria.

Serviço

Para melhor entender como será a mordida do Leão em cenário de juros mais baixos para os poupadores em geral, a Agência Dinheiro Vivo preparou uma tabela com alguns exemplos. Foi considerado o fluxo real de ganhos de um poupador e o imposto pago, baseado nas seguintes premissas:

1. Taxa Selic de 9%
2. TR de 0,03%

Na coluna, você procure o valor que mais se aproxima do seu salário mensal.

Na linha, o valor que mais se aproxime do saldo da sua poupança, a partir de 1o de janeiro de 2010.

O resultado do encontro da linha e da coluna será o IR pago sobre a poupança.

Na última linha, os juros totais que a poupança deverá render no ano.

poupanca

A mudança na tributação da caderneta de poupança visou impedir uma revoada de recursos dos fundos de investimento, quando a taxa Selic baixar mais ainda.

Atualmente, a maior parte das contas é de pequenos poupadores, que formam um colchão estável, permitindo a concessão de financiamentos de longo prazo. Não seria oportuno revoadas de capitais especulativos entrando e saindo da poupança. As mudanças passam a taxar as grandes aplicações – justamente as que procuram mais os fundos de investimento e papéis privados.

Por outro lado, a decisão beneficia claramente as instituições que administram recursos de terceiros. A remuneração do investidor é dada pela valorização da carteira de papéis menos a taxa de administração. Em geral, tais taxas deveriam ficar em 0,5% ao ano sobre o patrimônio. Nos últimos tempos, aumentaram para 1,5%.

Com os juros caindo e a competição da poupança, os administradores seriam obrigados a reduzir suas taxas de administração. Com o refresco dado pelo governo, poderão se apropriar do diferencial aberto.

Cálculos

A rigor, a lógica da nova tributação da poupança é a seguinte:

Suponha que o saldo na poupança seja de R$ 50.000,00 e a TR mensal de 0,03%. Haverá um crédito de R$ 15,00 de correção monetária. Depois, sobre o total (50.015,00) aplica-se o 0,5% de juros. Serão R$ 250,08. Desse total, abatem-se R$ 250,00 da faixa de isenção. Não sobre nada. Ou seja, não haverá tributação.

Agora imagine um outro exemplo, de R$ 100.000,00 de saldo de poupança.

A TR de 0,03% equivalerá a R$ 30,00 de CM. Os juros de 0,5% incidirão sobre a soma do principal mais CM (R$ 100.030,00). Vai dar R$ 500,15.

Desse total, abatem-se os R$ 250,00. Sobrarão R$ 250,15.

Sobre esse total, aplica-se um redutor, que acompanhará a taxa Selic. Se a Selic estiver em 9%, por exemplo, o redutor será de 70%. Aplicando-se sobre os 250,15, os 30% restantes equivalerão a R$ 75,05. Esta será a parte tributável.

Somando todas as parcelas mensais tributáveis, chega-se ao final do ano com um total de R$ 954,00 a serem oferecidos à tributação.

Se o poupador estiver na alíquota máxima, de 27,5%, pagará R$ 262,34 de Imposto de Renda, para R$ 6.710,00 de juros acumulados que recebeu no período. Na prática é como se a remuneração anual da poupança caísse de 7,1% para 6,8%. Essa é a maior queda na remuneração da poupança, para pessoas da última alíquota da tabela do IR.

Na hora do cálculo do IR, os juros serão somados aos rendimentos do aplicador. Se ele ganhar salário mensal até R$ 1.300,00, não pagará imposto. Se seu salário for de até R$ 2.000,00, no exemplo acima, o IR devido (pela aplicação na poupança) será de R$ 71,00.

Apesar desses problemas, dessa complexidade, há um fato novo no ar. O Banco Central foi demovido de sua teimosia em não reduzir a taxa Selic. Ela irá despencar. Se o governo fizer uma boa ofensiva sobre a ponta do crédito, reduzindo tributação, mas também obrigando os bancos a reduzir o spread, o país poderá ingressar em uma etapa inédita de crescimento, capaz de repetir os números dos anos 70.

Grandes investidores

Conforme divulgou o governo, à medida que a Selic for caindo, será diminuído o fator de redução da parte tributável dos juros da poupança. Cria-se uma situação curiosa. Como o pequeno poupador não será tributado, chegará o momento em que a poupança dele renderá mais do que a Selic.

No caso dos grandes investidores – alíquota máxima de IR -, supondo que a TR fique em 0,03% ao mês, à medida que caia a Selic, cai sua remuneração na poupança, mas cai também o diferencial entre a taxa Selic e a da poupança – que, grosso modo, corresponde à taxa de administração do banco.

Com a TR a 0,03%, a remuneração líquida anual da poupança isenta continuará sendo de 7,11% independentemente do valor da Selic. No caso da caderneta sujeita à maior tributação, com a Selic a 9,5%, a poupança renderá liquidamente 6,85% – uma diferença de 2,98%. Com a Selic a 7%, a poupança renderá 6,24%, ou apenas 0,25% de diferença.

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4 Comentários »

  1. [...] partir de agora, com a ajuda do pessoal do Cash (clique aqui), o caderno de finanças pessoais da Dinheiro Vivo, vamos tentar responder às principais [...]

  2. Este cálculo será feito para cada conta de poupança ou será calculado com base na somatória de todas as contas.

    Por exemplo: Uma pessoa que tiver 10 contas de poupança com R$ 50.000,00 cada totaliza R$ 500.000,00.

    O cálculo sera feito para cada conta individualmente ou pelo CPF do poupador?

    Outro exemplo vendo um imovel por R$ 600.000,00 e resolvo colocar numa poupança na venda já serei taxado com certeza e na poupança também??

    Agradeço se puder esclarecer estes exemplos.

    Edison Aparecido Mome – Osasco/SP
    Aposentado

  3. Essa politica do governo LULA de desestimular as aplicaçoes seguras como a poupança, incentivando os brasileiros para aplicarem em fundos de investimento, que para serem atrativos mesclam (misturam) títulos do governo com papeis de mercado como ações, é uma irresponsabilidade, podendo levar alguns brasileiros que necessitam fazer investimento seguro para garantir um futuro melhor, a terem sérios prejuizos.
    Na atual crise, podemos perceber o que aconteceu com as aplicaçoes em bolsa de valores. É muito estranho que um governo, que afirmou, no inicio da crise, que as economias dos brasileiros teriam que ser protegidas da especulaçao financeira agora esteja forçando os brasileiros para um mercado financeiro de alto risco. Porque isso está acontecendo? Porque aderir ao sistema de investimentos de altos risco praticado nos Estados Unidos? Será porque agora o LULA é o “cara”?

    Essa é a hora do Brasil mostrar criatividade, fortalecendo o seu sistema de captaçao de recursos financeiros (captação de poupança interna) através do incentivo ao investimento responsável (fazendo com que os bancos tenham responsabilidade ao administrarem o dinheiro dos brasileiros), que o dinheiro dos brasileiros não seja corroído pela inflação e o esforço de poupança feito heroicamente pelo brasileiro que consegue poupar, seja dignamente recompensado (QUEM FAZ POUPANÇA NO BRAZIL NÃO É ESPECULADOR, COMO AFIRMA O PRESIDENTE LULA), vamos evitar mercados de regulamentação duvidosa, (COMO OS FUNDOS DE INVESTIMENTO OFERTADOS PELOS BANCOS, VERDADEIRAS CAIXAS PRETA), vamos evitar copiar sistemas de paises como os Estados Unidos o qual é baseado em forte especulação e altos riscos em bolsa de valores.
    Chega de sermos submissos ao sistema da especulaçao em bolsa de valores (VERDADEIRO CASSINO). Vamos valorizar o investimento responsável, ou o governo quer ver as economias poupadas pelos brasileiros perdidas na especulaçao financeira nas bolsas de valores? Será que esse é o destino que o PT quer para o Brasil?, ou será que o PT abandonou de vez o bom senso e vai jogar o pais de vez na especulação financeira que não garante o futuro dos brasileiros que trabalham na iniciativa privada e portanto necessitam fazer poupança segura, pois não são nem grandes empresários, possuidores de vasto patrimônio, nem são altos funcionários do estado, com estabilidade no emprego e aposentadoria integral garantida?

    VAMOS DEFENDER AS ECONOMIAS DOS BRASILEIROS DE MAIS ESSA AMEAÇA. ESSA É UMA COMPANHA APARTIDÁRIA, APESAR DESSA AMEAÇA ESTÁ PARTINDO DO PARTIDO DOS TRABALHADORES (PT), ACREDITAMOS QUE AINDA EXISTA PESSOAS SENSATAS NOS PARTIDOS POLITICOS QUE NÃO CONCORDAM COM ESSA POLITICA AMEAÇADORA CONTRA AS ECONOMIAS DOS BRASILEIROS QUE NECESSITAM FAZER POUPANÇA. VAMOS COBRAR UMA ATITUDE POR PARTE DOS NOSSOS REPRESENTANTES NO CONGRESSO NACIONAL PARA QUE ELES NOS SALVEM DESSA AMEAÇA.
    VAMOS ACOMPANHAR, DEMOCRATICAMENTE, O VOTO DE CADA SENADOR E DE CADA DEPUTADO. DIVULGANDO-O APÓS A VOTAÇÃO.
    INFELIZMENTE, A POSIÇÃO DO NOSSO PRESIDENTE LULA ELE JÁ DECLAROU. ELE QUER VER TODO BRASILEIRO APLICANDO SUAS ECONOMIAS NA BOLSA DE VALORES, CORRENDO RISCOS. MESMO QUE ISSO SIGNIFIQUE A PERDA DE TODAS AS ECONOMIAS, DAQUELE BRASILEIRO, JUNTADAS DURANTE UMA VIDA INTEIRA.

    DEVEMOS TAMBÉM FICAR ATENTOS PARA UMA GRANDE CAMPANHA QUE JÁ COMEÇOU A SER FEITA NA MÍDIA DE MASSA, TELEVISÃO E RÁDIO, NO SENTIDO DE APOIAR OS PLANOS DO GOVERNO LULA DE DESMORALIZAR AS APLICAÇÕES FINANCEIRAS SEGURAS, ATRAVÉS DA SUA INVIABILIZAÇÃO VIA REDUÇÃO DE RENDIMENTOS

    ………………………………………………………………………………………………………………
    CAMPANHA EM DEFESA DA POUPANÇA DOS BRASILEIROS

  4. Tenho 120 mil para investir. Hoje, qual seria o melhor investimento, sem nenhum risco? Pensei em Fundo de Renda Fixa ou poupança. Qual seria mais vantajoso? OBS: O dinheiro ficará investido por 20 anos.
    Aguardo sua respostacom urgência
    Obrigado

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