Aplicação em debêntures surge como opção atrativa em tempos de crise
Por admin • abr 24th, 2009 • Categoria: Últimas NotíciasInicialmente voltado para o investidor de grande porte, duas companhias lançam ofertas com valores menores
O investidor que pretende diversificar suas alternativas de investimento no longo prazo pode encontrar nas debêntures uma opção relativamente segura e, com os recentes lançamentos, até mesmo o investidor pessoa física pode aderir a essa possibilidade.Basicamente, a debênture é um título de renda fixa que compete com papéis como CDB de banco, e é emitida exclusivamente por empresas com capital aberto em bolsa de valores, tendo como garantia o patrimônio do próprio emitente. “O título é uma opção atraente ao investidor por apresentar taxas de mercado um pouco superiores às do CDB”, diz Alexandre Assaf Neto, diretor do Instituto Assaf.
Uma das vantagens existentes na emissão de debêntures é justamente o conhecimento do emitente, que dá todo seu ativo como garantia de pagamento. “Faltam títulos de longo prazo no mercado. Este tipo de opção tem uma taxa boa ante outras alternativas, e o investidor também pode contar com a repactuação – se as taxas aumentarem no período de seis meses ou ano, é feita uma renegociação. Caso o debenturista não queira mais participar da oferta, ele saca o dinheiro com juros e correção até aquela data”, pontua o executivo.
Porém, a grande maioria das emissões tem sido direcionada para o médio e grande investidor. Dificilmente pode-se comprar uma debênture com R$ 5 mil. Na grande maioria dos casos, o lote mínimo aceito é de R$ 100 mil, e às vezes só se aceitam valores acima de R$ 1 milhão”. As poucas exceções vistas recentemente são a Oi e a Tractebel. No caso da operadora de telefonia, serão emitidas duas séries de papéis: uma com vencimento em 30 de maio de 2011 e que garantirá 115% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário) como remuneração, e a outra com prazo até 2012 e pagamento de 120% do CDI aos investidores. Em ambos os casos, a aplicação mínima é de R$ 1 mil. No caso da Tractebel, o valor mínimo para aplicar em debêntures é de R$ 10 mil com remuneração de até 125% do CDI. O vencimento está programado para 1º de abril de 2011. Em ambos os casos, os valores arrecadados serão direcionados para o pagamento de dívidas.
Entre os principais fatores que levam à realização de poucas ofertas de debêntures para pessoas físicas, estão os custos operacionais necessários para tal operação, uma vez que o lançamento é realizado da mesma forma que uma oferta primária ou secundária de ações (veja mais abaixo). “Para o emitente não compensa lançar poucas debêntures, é preciso vender bastante”.
Além disso, analistas acreditam que não existe a mesma vontade de se popularizar a negociação com debêntures quanto ocorre com o mercado de ações. “Aparentemente, a vontade de pulverizar para pessoa física não existe nem por parte dos bancos nem pelas empresas”, comenta Ricardo Almeida, professor da FIA (Fundação Instituto de Administração). “É um mercado de difícil entendimento, e as ações estão mais populares. Se houver muita pessoa física negociando debêntures, a emissão fica mais cara, e como as ações já possuem uma estrutura operacional montada, as companhias vão querer emitir. Não acredito que o quadro para pessoa física apresente melhora”.
Como funciona
Uma emissão de debêntures funciona praticamente da mesma forma que o lançamento de ações em bolsa. Depois que o conselho de administração da companhia ou os seus acionistas decidem emitir debêntures, é preciso estruturar as condições que vão nortear o negócio. Caso a operação seja uma oferta pública, será preciso contratar uma agente fiduciário e um intermediário.
A partir daí, contrata-se um banco (múltiplo ou de investimentos) que será responsável pela coordenação da oferta, estruturando e montando todo o procedimento. Obrigatoriamente a empresa deve ter registro de companhia aberta na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O registro de emissão vai fornecer dados como características, volume, preços e forma que, junto com os dados que identificam a empresa de emissão, deve permitir que o investidor decida se participa ou não da oferta.
O banco coordenador da oferta também deve preparar toda a documentação necessária para o procedimento, formar os consórcios que serão responsáveis pela distribuição, fazer reuniões e providenciar a colocação dos títulos junto aos investidores. A instituição também deve apurar se as informações prestadas pela companhia emissora são fidedignas e suficientes para esclarecer os investidores.
Caso a operação seja privada (para os próprios acionistas ou investidores previamente contatados), a CVM não precisa aprovar o procedimento, embora a prestação de informações ainda seja necessária. Tanto a distribuição e administração do processo são de responsabilidade do próprio emissor.
“A vontade de lançar debêntures é premente, mas é comprometida pela oscilação das taxas de mercado”, comenta Alexandre Assaf Neto. “O prazo mínimo a seguir é de dois anos, e não temos cultura para emissões deste tipo. Para se tornar viável, seria preciso popularizar o mercado secundário. O mercado chegou a ser criado – o chamado Bovespa Fix -, mas ainda não está dinamizado como poderia estar”.
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