Carro zero perde quase 15% do valor em um ano

Por admin • mar 20th, 2009 • Categoria: Automóveis

Por esta razão, especialistas afirmam que ainda é um péssimo negócio vender o carro após apenas 12 meses de uso

A retração nas vendas e do preço dos carros em conseqüência da crise financeira mundial tem causado mudanças no perfil do mercado automobilístico brasileiro. Um dos efeitos mais visíveis é o aumento da depreciação, ou seja, o veículo passou a desvalorizar mais rapidamente após deixar a concessionária. Por esta razão, se livrar do veículo nos primeiros meses de uso é considerado um péssimo negócio, segundo avaliação de especialistas.

De acordo com cálculos da Agência AutoInforme, há um ano, o carro zero perdia, em média, 12% de seu valor após 12 meses de uso. Porém, em março deste ano, a pesquisa apontou crescimento de 23% na depreciação do veículo. Assim, atualmente, o automóvel fabricado tem desvalorização média de 14,8% de seu preço em apenas um ano de uso.

A comparação, que analisou 75 veículos fabricados no Brasil ou no Mercosul, considera o preço do carro zero em fevereiro de 2008 e o preço daquele mesmo automóvel hoje em dia. Os economistas usam como referência o chamado “Preço de Verdade”, ou seja, o valor realmente praticado no mercado e não o preço oficial, divulgado pela montadora.

“É bom lembrar que a maior desvalorização do carro ocorre no primeiro ano de uso, continuando até os cinco anos, numa escala decrescente: a cada ano que passa a margem de depreciação é menor. Após o quinto ano, a depreciação anual é pequena e com tendência a se estabilizar”, afirma o diretor da AutoInforme, Joel Leite.

Ranking

O levantamento mostra outra mudança em relação às apurações de anos anteriores: Mille surge na liderança na lista nos modelos menos depreciados do mercado. Nesse quesito, o modelo Gol sempre foi o que menos perdia valor após um ano. Atualmente, o Mille perde apenas 10,7% do preço após 12 meses de uso, contra 11,1% do Gol, no mesmo período.

Porém, é a GM é a marca com maior número de modelos entre os menos depreciados. Celta, Classic, Prisma, Corsa hatch e Corsa sedã estão entre os dez modelos que menos perdem valor depois de um ano de uso. O destaque foi o Citroën C3, único representante das montadoras novas a figurar na lista dos dez carros menos depreciados do mercado. O C3 perde apenas 12,3% do seu preço 12 meses após deixar a loja.

Os carros que fazem parte da categoria dos pequenos são os que menos perdem valor. Em uma relação de 75 modelos, os pequenos e seus derivados ocupam até a trigésima segunda posição. O Civic, da Honda é o sedã médio menos desvalorizado: perde 14,9% no primeiro ano de uso – veja na tabela abaixo todos os resultados.

O que fazer

Em tempos de crise, uma alternativa interessante para quem vai comprar veículo é o mercado de carros semi-novos. Assim, ao escolher um modelo com defasagem entre 12 e 24 meses, é possível tirar proveito dessa depreciação mais acentuada sem abrir mão do conforto. Neste caso, a negociação é fundamental para derrubar ainda mais o valor a pagar.

Em contrapartida, para quem vai vender, o recomendável é tentar fechar o negócio de maneira particular, ou seja, de pessoa física para pessoa física. “Com pátios lotados, as concessionárias estão pagando valores até 50% abaixo do preço de tabela. O lojista não quer investir dinheiro em mais mercadorias, já que tem estoque encalhado”, esclarece o economista Miguel de Oliveira, da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Para o motorista, do ponto de vista financeiro, é melhor vender o veículo após três anos de uso, já que, a depreciação é menor: 10%, em média. “No segundo ano, a depreciação fica na casa dos 10%, mas passa para entre 4% e 5% do terceiro ano em diante”, afirma Leite.

carros

Preço de carro usado cai o dobro frente ao novo

A redução na alíquota de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para carros novos, em dezembro do ano passado, permitiu a queda nos preços desses veículos. Ao mesmo tempo, a retração no mercado de veículos usados também baixou ainda mais os preços dessa categoria.

De acordo com o IPCA de fevereiro, os carros novos apresentaram deflação de 0,70%, enquanto que os usados tiveram queda de 1,64% nos preços, durante o mesmo período. No acumulado do ano, a retração é ainda mais expressiva nos veículos usados: -4,85% contra -3,83% dos modelos zero quilômetro.

Por região

Em fevereiro, a queda mais acentuada de preços para os automóveis novos foi registrada em Belém, no Pará, com retração de 1,85%. Em contrapartida, Salvador registrou alta de 0,24%. No acumulado entre janeiro e fevereiro, Porto Alegre foi a que mais baixou o preço do carro novo: 5,50%. A menor taxa foi apurada no Rio de Janeiro: 2,10%.

Já para os veículos usados, a maior queda foi apresentada no Distrito Federal (-4,43%), ao passo que os preços exigidos no Rio de Janeiro tiveram redução de apenas 0,62%. Considerando o acumulado do ano, destacam-se Salvador (-7,83%) e Recife (-2,24%).

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