Aracruz questiona preço de troca de ações após compra da VCP

Por admin • fev 6th, 2009 • Categoria: Investimentos

Enquanto minoritários se mobilizam por uma relação de troca mais justa, analistas pregam cautela

Enquanto o mercado financeiro aguarda com expectativa a possibilidade da família Safra aceitar a oferta feita pela Votorantim para os 28% de ações que a Arainvest detém na Aracruz Celulose S.A, os acionistas minoritários não deixam por menos e questionam o valor da relação de troca dos papéis.

Segundo analistas, o preço foi considerado favorável para a VCP, já que a negociação foi realizada com o papel da concorrente abaixo do seu valor histórico – pelos termos da proposta, cada papel ordinário (ARCZ3) seria avaliado em R$ 14,56, o que levou a ação a disparar mais de 100% no último dia 20 de janeiro.

“Para os acionistas com papéis ordinários, o pagamento será bem interessante, porque existe um acordo com o BNDES, que fará subscrição”, comenta Leonardo Alves, analista de investimentos da Link Corretora. Entretanto, boa parte dos papéis ordinários está com os sócios majoritários. “O resto dos investidores que será favorecido com o preço proposto representa menos de 10% da base de ordinários.”

Para o investidor que possui ações da Votorantim Celulose e Papel (VCP), a relação não foi considerada das mais ruins: 0,1347 ação da VCP para cada papel da Aracruz. Entretanto, os detentores de papéis preferenciais da Aracruz (ARCZ6) – que detém um volume considerável em negociação na bolsa – não gostaram da proposta. “Quanto mais alto for esse valor, pior para quem tem Aracruz na carteira”, ressalta Alves.

“Os minoritários da Aracruz querem que o valor suba para precificar melhor a empresa.” Pelos cálculos atuais, quem possui papéis preferenciais receberá apenas um décimo do valor que será pago aos controladores.
Por conta disso, proprietários de ações preferenciais questionam a avaliação realizada pela Votorantim Celulose e Papel. Segundo comunicado, “ao precificar em R$ 2,18 uma ação que estava precificada no mercado até o dia anterior em R$ 2,65 (valor no fechamento do pregão da Bovespa), os conselheiros da Votorantim causaram uma desvalorização instantânea da ação em 17,73%”.

De acordo com os investidores, a VCP suspendeu a compra da Aracruz há alguns meses alegando que o valor ofertado teria ficado muito alto “devido à desvalorização da empresa” após a perda com derivativos e que a negociação continuava em novas bases.
“Passados alguns meses, eis que o negócio é efetivado sem qualquer abatimento de preço (exatamente pelo valor inicial). O prejuízo de mais de US$ 2,13 bilhões causado pela administração da Aracruz (…) não resultou em um centavo de abatimento”, afirmam os acionistas. De acordo com Alves, da Link, o que se diz no mercado é que a oferta foi mantida para que a VCP não precisasse arcar com uma multa de aproximadamente R$ 1 bilhão estabelecida no acordo fechado entre as partes em meados do ano passado.

Segundo a equipe de analistas da Gradual Investimentos, a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) tem acompanhado a operação e de certa forma está fazendo com que as empresas revejam a relação de troca. “O mais adequado seria o acionista esperar um posicionamento oficial antes de tomar uma decisão.”

Entenda os argumentos dos investidores minoritários

Enquanto os acionistas detentores de ações ordinárias da Aracruz (ARCZ3) ganharão cerca de 160% com a operação de compra da VCP, os detentores de papéis preferenciais (ARCZ6) buscam uma melhor remuneração por seus papéis – embora fontes de mercado indiquem que é preciso aguardar o andamento das conversas com a família Safra.

A parte que a Votorantim comprou da Aracruz – os 28% pertencentes à famílias Lorentzen, Moreira Salles e Almeida Braga – foi precificada em        R$ 21,25 por ação ordinária, que na ocasião de compra valiam R$ 5,60 no mercado e que passou a R$ 14,56 por decisão da assembléia de conselheiros. Segundo os acionistas preferenciais da empresa, o valor foi muito acima do que seria o correto. “A média proporcional entre as ações ordinárias e preferenciais dos 58 pregões imediatamente anteriores ao dia 20 de janeiro de 2009 (N.R: dia que a transação foi oficializada) foi de 0,5808. Ou seja: ao precificar a ação ordinária no valor de R$ 14,56, o valor da ação preferencial deveria ter sido precificado em    R$ 8,45.” Para os investidores, a Votorantim decidiu que as ações preferenciais passariam a valer menos do que o valor de mercado “unilateralmente”.

Ao mesmo tempo, os acionistas afirmam que as ações ordinárias valem quase três vezes mais do que o valor de mercado, enquanto os papéis preferenciais passaram a valer quase 20% menos. “Se os membros do Conselho tivessem usado os mesmos critérios para precificar as ações ordinárias que aumentaram de R$ 5,60 para R$ 14,56, o valor da ação preferencial teria passado de R$ 2,65 para R$ 8,45.”

Diante de tamanha incerteza, a recomendação dos analistas é não apostar nas companhias por enquanto. “A fusão nesse momento é muito arriscada, além de ter sido cara. Embora a VCP tenha sido pouco precificada pelo mercado, achamos que vai continuar arriscado. A empresa resultante tem tudo para ser boa, mas é melhor esperar o momento econômico melhorar para ter geração de caixa para o pagamento da dívida gerada”, diz Leonardo Alves, da Link Investimentos.

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