Aluguel de ações é opção para potencializar ganhos
Por admin • ago 17th, 2009 • Categoria: InvestimentosOperação pode ser feita especialmente pelo acionista com visão de longo prazo que deseja melhorar rendimentos na renda variável
O mercado de aluguel de ações mostra expansão no Brasil, e a tendência é que o ritmo se intensifique diante da volta da estabilidade. Apenas no mês de julho, o volume das operações com empréstimos de papéis chegou a R$ 23,58 bilhões, ante R$ 21,15 bilhões em junho. Ao todo, foram realizadas 65.791 ações, ante 63.073 no mês anterior, de acordo com a Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros de São Paulo (BM&FBOVESPA).
Basicamente, o aluguel de ações nada mais é que uma operação de empréstimo, que consiste na transferência de títulos do investidor para o tomador do empréstimo, de forma que ele possa realizar operações para atender vendas a descoberto – negociação em que ele não possui o papel a mão naquele determinado momento. O aluguel é feito para entregar a posição prometida, ou então para compor uma operação de arbitragem.
“Qualquer investidor pode fazer tal operação”, comenta Wagner Salaverry, sócio-diretor do banco Geração Futuro. “Quando ele aluga uma parcela ou o total de suas ações em carteira, temporariamente elas não podem ser negociadas. Ele segue na carteira, mas o ativo não pode ser negociado”.
Além disso, o acionista não vai perder eventuais pagamentos de dividendos ou a rentabilidade gerada durante o prazo do aluguel. Os rendimentos serão integralmente passados ao dono do papel, que também vai receber um percentual de premio do aluguel. “Qualquer investidor que não tenha interesse ou necessidade de negociar naquele período vai ganhar um percentual sobre o valor das ações como aluguel”, diz Salaverry.
“O tomador para pessoa física pode ter um palpite de que determinado papel vai cair. Ele vai alugar e negociar o papel para poder entregar o título. O doador deve avaliar se o preço que ele negociou vai justificar o aluguel e as garantias que estão sendo depositadas para isso”.
Quem normalmente aluga suas ações é o investidor com perfil de longo prazo, que deseja aumentar a rentabilidade de sua carteira sem necessariamente se desfazer da posição. E quem obtém tais papéis possui mais experiência nas negociações, como fundos ou mesmo bancos. “O que é estabelecido entre as partes são as garantias que o tomador do empréstimo deve ter.Normalmente, é exigido 120% do valor envolvido, mas isso varia para cada papel”, diz César Lopes, analista da SLW Corretora.
Caso o tomador não consiga devolver os papéis alugados no prazo acordado, o doador não terá nenhum prejuízo: a bolsa de valores faz uma recompra das ações no mercado, e para cada dia que o tomador não devolve a ação, a multa é de 0,2% do valor do título ao dia. Até o momento não se tem notícias de não devolução de papéis.
Operação exige garantias para não comprometer doador
Quem normalmente aluga seus papéis no mercado é o investidor de longo prazo, que não se importa com variações no preço. Já o tomador é o especulador, que aproveita oportunidades para vender ações antecipando movimento de queda no mercado – assets, investidores institucionais e setores de tesouraria são comuns, embora a demanda junto a pessoa física comece a ganhar força.
“O tomador vende o papel por um preço que ele considera alto, e compra no futuro por um preço mais baixo, lucrando com o diferencial de preços”, comenta Eduardo Ávila, operador de mesa da Gradual Corretora. “No caso do doador, a rentabilidade é diferente, pois ele quer receber juros referentes a esse aluguel”.
“Para conseguir tomar o aluguel, é preciso apresentar garantias suficientes”, ressalta Ávila. Tais garantias são definidas pela bolsa de valores, que faz um cálculo histórico da volatilidade do papel em questão e considera um quadro pessimista sobre a valorização do papel.
Procedimentos
A praxe é exigir o valor integral do papel, mais a margem. O tomador deve deixar capital ou qualquer outro tipo de ativo, com certificado de ouro, título público ou uma carta fiduciária. Vale lembrar que a demanda pelo aluguel é relativa a aqueles papéis que os clientes apostam que vão cair.
O contrato de aluguel fechado entre os agentes tem duração de 30 dias corridos, e o doador recebe em troca uma taxa de juros que flutua de acordo com a oferta e a demanda de mercado. Os papéis que compõem o índice Bovespa (Ibovespa) são os mais comuns de serem alugados. “Muita gente compra ações pensando em rentabilizar sua carteira com o aluguel de ações”, diz Leonel Nordi, gerente de operações da Planner Corretora. “A oferta é grande, e as taxas estão muito baixas”.
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