Em 2 anos, será possível pagar compras via celular

Por admin • ago 4th, 2009 • Categoria: Consumidor

Atualmente, bancos já oferecem a possibilidade de acessar o extrato de conta, saldo de poupança, pagar boletos e transferir valores pela tela do telefone

Pagar as compras através do celular, em qualquer lugar. Esta é a proposta que a conversão do meio físico para o digital vem proporcionado às transações financeiras, através do “mobile payment” (pagamento móvel). A prática dessa nova forma de pagamento já está disseminada nos Estados Unidos, Japão e Europa e começa a engatinhar no Brasil, ameaçando as receitas das administradoras de cartão de crédito.

Em um período de um ou dois anos, o consumidor brasileiro poderá fazer o pagamento de suas compras através do seu aparelho de telefone móvel, com débito direto em conta corrente ou fatura mensal, de acordo com o consultor em finanças e professor da Fiap (Faculdade de Informática e Administração Paulista), Marcos Crivelaro. Contudo, o especialista lembra que, atualmente, os bancos já oferecem aos clientes a possibilidade de acessar pelo celular o internet banking para verificar extrato da conta, saldo de poupança, pagar boletos e transferir valores, entre outros serviços disponíveis.

Como funciona

Segundo a M-Pay Brasil, empresa especializada na implantação da tecnologia, “o procedimento é tão simples quanto uma ligação para celular e não dura mais do que 20 segundos”. Cadastrado no sistema, o usuário liga para uma central de atendimento eletrônico, munido da senha e do valor da compra para a transação. Uma resposta audível, codificada, é enviada como se fosse um sinal de fax. Em seguida, basta aproximar o telefone a um terminal específico disponível na própria loja conveniada e a venda estará concluída.

O valor da compra poderá ser debitado diretamente da conta corrente do cliente ou através de fatura mensal, assim como acontece nos cartões de crédito. Na M-Pay, o custo do serviço é o preço de uma ligação de um celular. Não há assinatura ou qualquer outra taxa. A segurança do sistema é maior do que a encontrada nas transações de cartão de crédito, já que informações sobre dados pessoais, números de contas ou cartões não trafegam na rede.
De acordo com informações da Agência Brasil, a internet também viabiliza o uso de sistemas de pagamento oferecidos por empresas especializadas que fazem intermediação entre clientes e fornecedores.

Por esse sistema, o lojista ou prestador de serviço não precisa ter um contrato com cada bandeira de cartão de crédito, mas com essas empresas, conforme explicou o consultor técnico em tecnologia e professor de redes de computadores da Faculdade Módulo, Ricardo França.
“Eventualmente, uma venda deixa de ser feita porque o cliente não tem uma bandeira. Se os fornecedores aderirem a essa tecnologia, facilita o relacionamento. Geralmente, a empresa cobra um percentual com qualquer bandeira de cartão de crédito e o custo é um pouco mais elevado”, afirma França.

Ameaça ao cartão

Porém, Crivelaro comenta que a expectativa para o futuro é que os consumidores possam pagar compras por meio do celular, em substituição ao cartão físico. França lembra que o brasileiro é “um grande consumidor de tecnologia celular”. As estatísticas mostram que os brasileiros trocam o celular, em média, uma vez por ano. “O celular pode se tornar uma forma mais fácil de efetuar o pagamento tanto pela mobilidade quanto pela modernidade”. No box ao lado, saiba quais serviços já estão disponíveis pela tela do celular em algumas instituições financeiras.

Empresas são responsáveis por prejuízos em casos de fraude

Administradoras de cartão de crédito e demais instituições financeiras que atuam com transações eletrônicas investem pesadamente em sistemas para reduzir riscos. Contudo, “não existe nada 100% seguro, mas há um investimento grande em tecnologia de segurança”, alerta o especialista em rede de computadores da Faculdade Módulo, Ricardo França.

Ao mesmo passo em que as empresas estão buscando medidas para tornar o sistema mais seguro, os fraudadores tentam se aperfeiçoar. A técnica da Fundação Procon de São Paulo, Renata Reis, ressalta que as instituições financeiras são responsáveis por prejuízos em caso de fraude. “O consumidor nunca vai poder pagar a conta por isso. É um risco do negócio quando a empresa oferece ao consumidor esses meios de pagamentos”.

A especialista afirma ainda que o cliente deve verificar os mecanismos de segurança disponíveis antes de escolher um meio de pagamento eletrônico. “É preciso observar todas as orientações passadas pela empresa para que, caso ocorra algum problema, ela não possa alegar que não foram seguidas as orientações”, alerta.

Essa atenção torna-se cada vez mais relevante por causa do aumento do uso dos meios eletrônicos. Segundo dados do Banco Central, a quantidade de cheques emitidos caiu 23% entre 2005 e 2008, enquanto o uso dos cartões de débito cresceu 84% e de crédito de 65%.

Saldos, extratos e empréstimos pelo celular

Os bancos correram atrás da novidade e já oferecem diversos serviços bancários através da tela do celular. O sistema está disponível no Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e HSBC, entre outras instituições financeiras. O cliente poderá usar o celular para efetivar algumas operações financeiras, como consulta de saldos e extratos, pagamento de faturas de cartão de crédito e até contração de empréstimos.

O serviço, batizado de mobile banking, é considerado a terceira onda de automação bancária. Está disponível para os correntistas e clientes das operadoras Vivo, Oi, Brasil Telecom e Claro. É preciso que o interessado baixe um aplicativo no site do banco.

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