Preços de carros novos e usados despecam; manutenção sobe

Por admin • ago 4th, 2009 • Categoria: Destaques

Em contrapartida, manutenção dos veículos pesou mais no bolso do consumidor nos primeiros seis meses do ano, segundo dados do IPCA-15 divulgado pelo IBGE

Os preços de carros novos e usados sofreram quedas significativas ao longo do primeiro semestre deste ano. A depreciação é atribuída aos efeitos da crise financeira internacional, que se intensificaram a partir de setembro do ano passado, e à redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para os modelos zero quilômetro. Em contrapartida, os custos de manutenção pesaram mais no bolso do consumidor nos primeiros seis meses deste ano.

Foi o que indicou a apuração do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor-15), divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) na última semana de julho. De acordo com o indicador, entre janeiro e junho, os preços dos carros novos caíram 9,47% em média, enquanto os valores dos usados depreciaram 11,64%. Já os custos para conserto do veículo avançaram 6,96% no mesmo período. Levando em consideração apenas o mês de junho, a compra de um carro zero quilômetro ficou 0,14% mais barata, contra média de 2,84% nos modelos usados.

Por região

A queda mais acentuada nos preços dos veículos novos foi registrada no Estado de São Paulo, informou o IBGE. Nos primeiros seis meses do ano, os paulistas conseguiram comprar modelos zero quilômetro até 11,95% mais baratos. Em segundo lugar no ranking da queda de preço está Recife (11,60%), seguido por Salvador, com retração de 10,99% nos preços médios. Recuos igualmente significativos foram apresentados nos preços dos veículos novos comercializados no Rio de Janeiro (-4,48%), Fortaleza (-5,71%) e Distrito Federal (-5,73%).

Para os modelos usados, as quedas mais expressivas foram apuradas em Belém (-21,33%), Goiânia (-14,58%) e Curitiba (-14,32%), enquanto Rio de Janeiro (-4,74%), Distrito Federal (-9,35%) e Belo Horizonte (-9,97%) registraram as menores variações.

Ainda segundo a apuração do IBGE, apenas os motoristas de Belém e Fortaleza perceberam redução nos preços relacionados aos custos de manutenção, caindo 9,08% e 0,92%, respectivamente. Em contrapartida, as despesas com o conserto do carro ficaram mais caras em São Paulo (11%), Belo Horizonte (8,44%), Porto Alegre (6,95%) e Rio de Janeiro (6,42%). Confira a variação dos preços de automóveis novos e usados em cada região na tabela abaixo, no período entre janeiro e junho deste ano.

Oficina

O alto preço cobrado para o conserto dos automóveis é uma das explicações para que o motorista só procure a oficina mecânica quando realmente precisa. Um estudo realizado pelo GIPA – órgão internacional especializado em estudo de pós-venda – revela que 14% dos quatro mil motoristas entrevistados levam o carro pra revisão em oficinas de confiança fora da rede de revendas da marca, mesmo durante o período de garantia. “Isso mostra que eles abrem mão da garantia em troca de fazer a manutenção do carro num mecânico de sua relação pessoal, que ele confia”, conclui o diretor da Agência AutoInforme, Joel Leite.

Ele cita outro dado curioso do levantamento: mais da metade dos motoristas (51,7%) faz manutenção preventiva do carro e 48,3% só levam o carro na oficina quando quebra. Vale ressaltar que as informações referem-se aos carros seminovos, com até três anos de uso.

Na medida em que o carro vai ficando mais velho, o índice de prevenção vai diminuindo progressivamente. Dos motoristas com carro de até cinco anos, 48% fazem manutenção. Até 10 anos, 46% e até 20 anos, 39%.

“Como a frota brasileira tem uma média de idade 9,2 anos, se conclui que menos da metade dos 28 milhões de veículos que rodam no país são submetidos à manutenção preventiva. O restante – ou seja, a maioria -, só vai pra oficina quando quebra”, afirma o especialista. “E o carro só quebra quando está andando, certo? Para no meio da rua, coloca os outros em risco, atrapalha o trânsito e causa prejuízo à sociedade”, conclui.

carros

Cresce a participação de importadores no país

O mercado brasileiro nunca esteve tão diversificado. A maioria das grandes empresas do mundo tem produção local, e as empresas estrangeiras que ainda não fabricam seus modelos no Brasil atuam como importadoras, o que faz do país o quinto maior mercado consumidor de automóveis do mundo, segundo dados da Agência AutoInforme. Atualmente, o motorista brasileiro pode optar por mais de 700 modelos importados no país, somando todas as versões de acabamento, motorização e carroceria.

E os carros importados estão cada vez mais presentes no nosso dia a dia. Existem dois tipos de importados: o primeiro é aquele trazido pelas empresas que têm fábrica no Brasil e, portanto, são beneficiados com a isenção da taxa de importação de 35%. Nesse caso, estão basicamente os carros feitos na Argentina e no México. E são muitos: da Argentina vêm o Spacefox, Siena, Focus (hatch e seda), C4 (hatch e seda) Peugeot 307 (hatch e seda), Clio, Symbol Kangoo e a picapes médias – Ranger, Hilux (picape e o Utilitário). Do México vem o Jetta, Bora, Tiida, Sentra, PT Cruiser, Captiva, Dodge Ram, Fusion, Honda CRV e o New Beetle. Esse segmento vendeu 210 mil unidades no primeiro semestre, e já representa 14,5% do mercado.

O outro segmento é o das importadoras, que trazem carros da Hyundai, Kia, Lamborghini, Ferrari, BMW e outras 14 marcas, que pagam 35% de taxa além dos impostos locais. Eles têm uma participação muito menor – venderam 13 mil unidades no semestre -, mas também tiveram um crescimento acima da média do mercado. “Isso quer dizer que, embora seja minoria, o carro importado [da Argentina, da Alemanha ou da Coreia], empolga cada vez mais o consumidor brasileiro”, conclui o especialista e diretor da agência, Joel Leite.

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Um Comentário »

  1. quero trocar um fiesta p/um kangoo usado

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